Grupo de mulheres Flores de Ximenes

Florescer o mundo inteiro

AS FLORES DE XIMENES: AGROECOLOGIA E FEMINISMO

Resumo

Esse artigo articula as experiências vividas na execução do projeto de extensão “Agroecologia e Feminismo: empoderamento das camponesas da Mata Sul” com os conceitos de agroeco- logia e feminismo discutidos no universo da academia e dos movimentos sociais. A ação junto as agricultoras do assentamento Ximenes, localizado na cidade de Barreiros-PE, tem o apoio efetivo do Instituto Federal de Pernambuco e da Cooperativa de Assistência Técnica e Ex- tensão Rural- ECOTERRA. Incialmente, as atividades foram centradas apenas na esfera da produção de base agroecológica com o objetivo de gerar renda e empoderar as mulheres para participar dos espaços de comercialização. Mas o desenrolar das atividades mostrou que as camponesas do assentamento Ximenes estavam preparadas para muito mais e desde então, com muita coragem, vem transformando a realidade da Mata Sul de Pernambuco.

Palavras chaves: agroecologia, feminismo, empoderamento, camponesas, Mata Sul.

Abstract

This article articulates the experiences of the extension project “Agroecology and Feminism: Empowerment of the Peasants of the South” with the concepts of agroecology and feminism discussed in the universe of academia and social movements. The action with the farmers of the Ximenes settlement, located in the city of Barreiros-PE, has the effective support of the Federal Institute of Pernambuco and the Cooperativa de Assistência Técnica e Extensão Ru- ral – ECOTERRA. Initially, the activities were centered only on the sphere of agroecological production with the objective of generating income and empowering women to participate in the commercialization spaces. But the activities unfolding showed that the peasants of the Xi- menes settlement were prepared for much more and since then, with great courage, has been transforming the reality of the Mata Sul de Pernambuco.

Key words: agroecology, feminism, empowerment, rural, South Woods.

Contexto

O projeto ‘”Agroecologia e feminismo: empoderamento das camponesas da Mata Sul” foi elaborado com base nas discussões geradas no Encontro Nacional de Agroecolo- gia-ENA de 2014, realizado em Juazeiro- BA. Foi nesse evento que houve a reflexão da união dos ideais feministas com a agroecologia, gerando desde então diversos tra- balhos que focam o olhar sobre a atuação da mulher no universo da agricultura familiar.

Essa discussão também chegou a Pernambuco envolvendo as universidades, Institu- tos Federais, movimentos sociais da agricultura familiar. Animadas com esse debate, pernambucana, exatamente no município de Barreiros) adentraram o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco- IFPE requisitando apoio para debater a lógica produtiva do assentamento a fim transformar a matriz produtiva da comunidade. Elas demonstraram uma grande preocupação com contaminação do solo e da água resultado do uso massivo de agrotóxico e fertilizantes químicos. Também levantaram questionamento a respeito do alto grau de desmatamento, a expansão do monocultivo da cana-de -açúcar que gera fragilidade do sistema produtivo que impede o alcance da soberania alimentar.

O enfrentamento a lógica produtiva do agronegócio foi construído com base na história de vida dessas mulheres. Elas foram expulsas do seu território de origem, o assenta- mento Juriçaca localizado no município de Cabo de Santo Agostinho-PE. Esse ato foi demando pelo complexo industrial portuário de SUAPE e efetivado pelo Instituto de Terras de Pernambuco-ITERP no ano de 2011. As comunidades removidas ocupavam o litoral do município de Cabo de Santo Agostinho a cerca de 50 anos, essas recebe- ram indenizações irrisória e foram realocadas em novos assentamentos como é o caso de Ximenes. Durante as negociações para a retirada das famílias, o complexo indus- trial portuário de SUAPE se comprometeu a construir uma infraestrutura que garantis- se a qualidade de vida das famílias. Foi acordado a construção de casa, escolas, posto de saúde especializada, sede para associação, estradas e um apoio inicial para as atividades produtivas, nenhuma dessas instalações foi implantada no assentamento.

Com base nesse novo cenário, onde apenas a cana de açúcar se constitui como cul- tura, as mulheres do assentamento Ximenes buscam na agroecologia a base para se manter na terra, concretizando o bem viver para elas e suas famílias. A experiência que esse artigo se compromete a relatar nasce desse desejo e desse propósito.

Descrição da atividade

Durante Jornada dos Povos realizada na Universidade Federal Rural de Pernambu- co em 2015, as agricultoras do assentamento Ximenes procuraram os professores e professoras do IFPE e exigiram que a instituição apoiasse o fortalecimento do assen- tamento Ximenes através de projetos de extensão que tivessem como base ações ligadas a agroecologia. Tal exigência, foi apresentada de forma direta como forma de mostrar a contradição entre a oferta do curso de agroecologia vinculado ao IFPE-Bar- reiros e o distanciamento que a instituição possui com as comunidades rurais que são fundamentais para a construção do conhecimento agroecológico.

A partir dessa demanda, começaram as visitas sistemáticas a comunidade a fim de construir um projeto de extensão que pudesse partir das demandas reais das agri- cultoras e não das linhas temáticas da academia. Dessa forma, a ação foi idealizada contendo momentos de formação nos temas agroecologia, feminismo, mercado justo e economia solidária e ações práticas ligadas a implantação de novas atividades produ- tivas como os Sistemas Agroflorestais-SAFs e cultivo de hortaliças em sistema- PAIS (produção agroecológica integrada e sustentável). O projeto finalizado foi submetido ao edital de cessão de bolsas de extensão para discentes – PIBEX, lançado pelo IFPE e em 2016 duas bolsas foram aprovadas para apoiar a atividade.

Após a aprovação, foi realizada uma reunião geral com todas e todos os participantes. A ação envolveu de forma orgânica e não hierárquica, alunas, alunos, professoras, professores e as agricultoras e o conceito de gênero foi remodelado e associado aos princípios do feminismo (ecofeminismo).

Na primeira formação 25 mulheres e 1 homem (o presidente da associação) participaram da atividade. Foi realizada a discussão sobre a agroecologia e o feminismo através dos depoimentos explanados no filme “As Sementes” (direção de Beto Novaes-UFRJ). Ani- madas com a propostas as agricultoras firmaram o pacto com a agroecologia como base para a mudança da realidade do assentamento e formaram o grupo de mulheres. Novos momentos de formação vieram e o grupo de mulheres foi se fortalecendo, reduzindo, aumentando, se moldando e com 12 agricultoras foi batizado de Flores de Ximenes.

Segundo Bárbara Lima, umas das flores “O nome Flores de Ximenes foi escolhido, porque queremos transformar nossa comunidade num lugar bom se se viver, mas res- peitando que cada uma é de um jeito. Temos flores mais delicadas, flores mais brutas… Mas, todas são flores né? ” E com isso cada agricultora ganhou uma espécie para se identificar: temos flores de mel, rosas, margaridas, girassóis e abdicaram de parte da individualidade para se tornarem apenas flores. Nas formações são comuns as falas como a de Mônica: “As flores querem ser respeitadas e mudar a realidade”. Já Dona Sônia, sempre pergunta “ Onde será aproxima atividade? Vai ser no lote de qual flor? ”

Em um novo momento de avaliação, o projeto passou por nova remodelação. As flores decidiram que não bastava aprender as técnicas necessárias para implantar os diver- sos tipos de SAFs, era preciso que cada uma tivesse o seu próprio sistema agroflores- tal implantado. Novamente, o IFPE juntamente com a comunidade e com a ECOTER- RA 2 auxiliou o grupo de mulheres nessa nova jornada. O grupo, de forma organizada, decidiu que todas as quintas seriam destinadas a implantação de Sistemas Agroflores- tais e assim desde então.

Resultados alcançados com a experiência

Cobrando apoio da sociedade as flores de Ximenes procuraram Prefeitura, Secretaria de agricultura, IFPE, Ecoterra e conseguiram uma doação de cerca de 1700 mudas (frutíferas e florestais) que geraram 9 SAFs nos lotes das agricultoras envolvidas. Fo- ram realizadas formações sobre Agroecologia e feminismo, direito das mulheres cam- ponesas, divisão sexual do trabalho, e as agricultoras organizadas começaram a levar esses debates para o espaço da associação.

O trabalho das Flores de Ximenes ganhou repercussão e agora elas possuem autono- mia para participar do espaço público, se posicionam enquanto grupo e estão compon- do a nova diretoria da associação. Também discutem com os órgãos como ITERP as questões fundiárias, cobram as promessas feitas durante a criação do assentamento e atuam fortemente pela consolidação da agroecologia dentro da comunidade..

As formações foram momentos de transformação, onde construímos o conhecimento de forma coletiva, respeitando as experiências trazidas com as vivências somando as teorias da academia. As Flores já auxiliaram em aulas no IFPE e na UFRPE, debates e capacitações em diversos espaços públicos.

As e os bolsistas do projeto socializaram durante a avaliação final que a vivência foi um espaço para questionar e aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula, isso certamente promoveu um crescimento profissional e pessoal. Percebemos que a transição agroecológica gera para as mulheres muita violência, as mulheres precisam (em muitos casos) enfrentar a comunidade, as famílias, mudar a forma de olhar e arcar com o desestimulo constante para a efetivação das práticas agroecológicas propostas pelo grupo. É recorrente nas falas, que as Flores sejam categorizadas como loucas, desocupadas, péssimas mães e esposas por deixarem o espaço privado (a casa) e ocupar o espaço público. O feminismo desocultou essa violência que anteriormente não existia e nos mostrou como é complexo alcançar o bem viver.

Agora, as flores, já possuem o planejamento para investir em novas ações: a formação para a produção de EM e uso de torta de mamona como adubo, implantação de apiá- rios nas áreas dos SAFs, implantação de cultivo de hortaliças em sistema de mandala associado a criação de galinhas caipira, abertura de mercado para produtos agroeco- lógicos, divulgação e fortalecimento da marca Flores de Ximenes.

Todas essas ações foram sistematizadas no documentário Flore de Ximenes, filmado em 2016 onde as mulheres contam sua história e relatam as mudanças que vem reali- zado na mata sul com base na agroecologia e no feminismo.

Referencias

ALTIERI, M. Agroecologia: bases cientificas para uma agricultura sustentável. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais-Nordeste, Livro de comemoração de 25 anos do movimento. Pernambuco,2012.

PERROT, M. As mulheres ou os silêncios da história. (Tradução de Viviane Ribeiro) São Paulo: Edusc, 2005.

SILLIPRANDI, E. As mulheres e a agroecologia- Transformando o campo, as florestas e as pessoas. Editora UFRJ.2015

Código de vinculación

Dirección y responsable del proyecto: Silvia Barrios

Colaboración producción de imagen e investigación: Vivian Delfino Motta

Página web Proyecto/archivo“Altar Mujeres SXXI #vidasenlucha”

Pagina del archivo Facebook
https://www.facebook.com/altarmujeressxxi/?modal=admin_todo_tour

Para sumarte a la propuesta: silviabarriosarte@yahoo.com.ar

Convoca:  MediaLab Artes del Fuego” 

Proyecto: “Altar Mujeres SXXI #vidasenlucha”es un laboratorio/instalación transdisciplinario en cruce con la perspectiva de género, que sintetiza el trabajo de una plataforma dedicada a la investigación y producción de obra. Un archivo global de todos los tiempos y culturas

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